19 de dezembro de 2011


TELHADO AZUL

                                            O meio ambiente se faça
A cada um dos nossos passos
E estes construam um mundo
Justo, seguro e saudável,
Edificando uma herança
Benigna e generosa
Às futuras gerações

O meio ambiente se faça
A cada um dos nossos laços
A cada dia, a cada traço
E estes construam um teto,
Um piso e um aconchego
De praias, luz e afeto
De seres de sol e seda
Sentados à mesma mesa

Na flor, no rio,
Nas águas do mar,
Na folha, no verde,
No céu, no sul
Telhado azul
Do meu e do seu lar

                                                                   
         MUNDO AZUL, CORDÃO NORDESTE, PÁSSAROS QUE ME ACOMPANHAM, MARINA E A FLORA DE LÁ,  MUITAS  PALAVRAS ESCRITAS E TODOS OS RABISCOS QUE PINTEI E DESENHEI, DESEJAM A TODOS UM MUNDO MAIS JUSTO E VERDADEIRO...                                                          

                                                                         PAULO CALDAS
                                                                        Maceió,19/12/2011



20 de setembro de 2011

TEM A ARTE, ESSE PODER?






                                                    

                                          TEM A ARTE, ESSE PODER?


Tem certo tempo que esse texto está na minha cabeça, martelando, martelando para ser escrito. Hoje resolvi escrevê-lo.


Era o mês de julho e eu comecei um novo desenho. Percebi logo que ele saia do meu jeito de compor um trabalho.
À medida que ia sendo feito eu via que estava diferente dos demais, sem que eu soubesse a razão. Sentindo uma grande angústia, fui deixando sair. A sensação que eu tinha era a de estar diante de um cortejo fúnebre, como se os pássaros estivessem em posição de reverência por uma catástrofe a se anunciar. Levei mais ou menos cinco madrugadas até terminar. Cinco momentos difíceis! Vale dizer também que durante esses cinco dias, todas as vezes que eu ia com marina, minha filha de dois anos, ao supermercado, ela – que adora colocar produtos variados no carrinho – me trouxe apenas pacotes e pacotes de velas. Eu perguntava para que e ela dizia que eu os levasse para casa. Para evitar suas birras eu concordava e, no caixa, devolvia os pacotes sem que ela percebesse...
À noite, quando enfim marina dorme e me permite trabalhar, eu retomava o trabalho. Eu parava um pouco e retomava logo a seguir. A sensação de peso e uma profunda tristeza voltavam e guiavam minha mão novamente. Tive, por vezes, até vontade de chorar. E assim foi até que eu o concluí. na madrugada do dia 12 de julho.
Pela manhã - quarta feira, dia 13 - ao ligar a TV, vi a notícia da queda, logo após a decolagem – onde morreram 16 pessoas - de um avião que saia do aeroporto de Recife para a cidade de Mossoró no Rio Grande do Norte.
Vendo as imagens e as chamas, me lembrei das velas. Vendo a fumaça escura, lembrei das ‘vestes’ escuras dos pássaros e suas expressões severas e tristes. A sensação de angústia que me acompanhou durante aqueles dias e madrugadas, repentinamente desapareceu e deu lugar a um sentimento de esvaziamento, como se eu estivesse a murchar...

                                                                                    Paulo Caldas, 20/09/11









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